Entre as 26.668 pessoas que passaram por cirurgia de hérnia de janeiro a junho deste ano em São Paulo, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), apenas 214 foram submetidas ao procedimento por videolaparoscopia, de acordo com dados do DataSus.  Este dado representa que uma  a cada 124 cirurgias de hérnia é realizada por videolaparoscopia  no estado.

Do total de operações, 26.268 foram  de hérnias da parede abdominal, sendo que em apenas 9 casos de hérnia epigástrica, 65 de hérnia umbilical e 140 casos de hérnia inguinal foram feitas  por vídeolaparoscoia.

Na cirurgia laparoscópica são realizadas apenas quatro  incisões de no máximo 1 cm. Já no caso da cirurgia aberta  a incisão é entre 15 cm e 20 cm. Entre as vantagens da cirurgia feita por vídeolaparoscopia estão menos dor no pós-operatório, com uma  recuperação mais rápida.

“Além disso é importante destacar a precisão dos movimentos durante o procedimento. É o método mais indicado principalmente nas cirurgias de hérnias incisionais”, afirmou o cirurgião e presidente da Sociedade Brasileira de Hérnias (SBH), Alexander Morrell.

A videolaparoscopia também reduz o tempo de recuperação da operação. “O índice de complicações abdominais e infecciosas são muito menores, além de resguardar a parte estética e provocar menos dor. O paciente é liberado para voltar às atividades normais em uma semana, já na cirurgia aberta o tempo é maior devido a demora na cicatrização do corte”, explicou.

Entre janeiro de 2017 e junho deste ano foram realizadas 78 mil cirurgias de hérnias  no estado, sendo que 77 mil são da parede abdominal e 355 foram com videolaparoscopia.

O que é – A hérnia é um defeito ou um orifício nos músculos do abdome que permite que o intestino ou uma porção de gordura protrua (passe) através dele. As hérnias não desaparecem sozinhas e a única forma de curá-las é a cirurgia.

Cerca de 20 a 25% da população adulta brasileira é afetada por esta patologia, sendo que as hérnias da parede abdominal representam a cirurgia mais frequentemente realizadas por cirurgiões gerais. Ao todo, são realizados 350 mil procedimentos ao ano no Brasil.

“Técnicas menos agressivas de tratamento e novos materiais cirúrgicos têm sido cada vez mais utilizados para melhorar os resultados e beneficiar os pacientes”, conta Morrell.

As hérnias ocorrem principalmente na virilha (hérnia inguinal), no umbigo (hérnia umbilical) e no local onde foi realizada previamente uma cirurgia (hérnia incisional).

Sintomas – O problema causa grande desconforto, formigamentos, queimação e dores quando existe algum tipo de esforço físico, de acordo com Alexander Morrell.

O sinal mais comum é um abaulamento ou “caroço” na pele da região da virilha ou face interna da coxa (hérnias inguinais e femorais) ou próximo do umbigo (hérnia umbilical e hérnia epigástrica) que desaparece quando se deita e surge novamente quando se levanta. “Dor no abdome, na virilha, na coxa e no umbigo durante um esforço físico também pode estar presente. Nos homens, a dor de uma hérnia inguinal pode irradiar para os testículos”, disse Morrell.

Segundo o cirurgião, a doença pode evoluir e causar problemas mais graves. “Dor forte, intensa com inchaço pronunciado e súbito seguido ou não de náuseas ou vômitos, com parada de eliminação de gases ou fezes são sintomas da maior e mais grave complicação que é o encarceramento da hérnia”, explica. Se não tratada pode evoluir para o estrangulamento sendo uma condição grave e que ameaça a vida. Requer tratamento cirúrgico de emergência.

Conheça os Tipos de Hérnias Abdominais:

Hérnia inguinal (virilha)

Nesta região existe um orifício natural por onde passam os vasos (artérias, veias) e nervos para os testículos transformando-se em uma área mais fraca de parede abdominal. “Algumas pessoas já nascem com a hérnia mas ela só se manifesta na idade adulta com a fraqueza da musculatura”, explica o especialista, Alexander Morrell.

Hérnia de Hiato (estômago)

Trata-se de  um defeito no músculo diafragma que faz com que o estômago suba para dentro do tórax. “Com a doença, o mecanismo que impede que o ácido do estômago suba ao esôfago deixa de existir. O ácido causa queimação, azia, dores do peito e empachamento, quando o paciente se deita”, afirmou Morrell.

Hérnia Femoral (virilha)

Vocês sabiam que as hérnias femorais são mais comuns em mulheres? “Elas surgem na virilha, imediatamente abaixo do local onde surgem as hérnias inguinais, bem no início da coxa. Neste local existe o anel femoral para a coxa e perna”, explica.

O sinal mais comum é o aparecimento de um “caroço” ou abaulamento na pele da região da face interna da coxa.

Hérnia Umbilical

Provocadas por uma fraqueza no local por onde passou o cordão umbilical, ocorre no umbigo e ao seu redor. O tratamento cirúrgico é a única solução para correção definitiva.

“A cirurgia demora cerca de 30 a 40 minutos e pode ser realizada com dois tipos de anestesias. O período de internamento é de 24 horas e a recuperação completa do paciente acontece em uma semana”, explicou Morrell.

Hérnia Incisional

É o tipo que ocorre em algum local de incisão cirúrgica, devido a uma ruptura das suturas internas. A cirurgia de reparação pode ser realizada de forma convencional ou por videolaparoscopia.

 

O que pode causar hérnia?

De acordo com Morrell, alguns hábitos diários podem facilitar o aparecimento de hérnias. Conheça:

 

1 – Levantar objetos pesados do chão abruptamente

2 – Esforço de tosse

3 – Esforço para a evacuação intestinal/obstipação

4 – Esforço para urinar / prostatismo

5 – Obesidade

6 – Condições congênitas

7 – Processo de envelhecimento natural